Corte que deveria ser guardiã da Constituição se tornou ator político e perdeu a confiança do brasileiro. O Judiciário brasileiro vive hoje sua maior crise de credibilidade. E no centro dessa crise está o Supremo Tribunal Federal.
Criado para ser o guardião da Constituição, o STF se transformou em legislador, em investigador e em partido político. Julga fora dos autos, pauta o Congresso, censura imprensa, prende por opinião e decide eleição. É o ativismo judicial em estado puro.
O brasileiro comum já não vê no Supremo um tribunal técnico. Vê uma corte inconformada com os limites que a própria Constituição lhe impôs. Quando não gosta de uma lei aprovada pelo povo, derruba. Quando não gosta de um discurso, manda prender. Quando não gosta do resultado das urnas, interfere.
Essa postura gerou um efeito devastador: o descrédito. Pesquisas mostram que a maioria da população já não confia no STF. O Judiciário, que deveria ser o poder mais discreto e mais respeitado, tornou-se o mais questionado e o mais rejeitado.
Um Judiciário desacreditado não consegue pacificar o país. Pelo contrário, alimenta a divisão. Enquanto ministros dão entrevistas, participam de eventos políticos e militam abertamente, o cidadão que espera anos por uma decisão na vara cível fica sem resposta.
O Brasil precisa urgentemente devolver o STF ao seu tamanho constitucional. Menos holofote, menos política e mais Constituição. Sem isso, o inconformismo não é do povo com o Supremo – é do Supremo com o próprio Estado de Direito que jurou defender.

