Lamim, na Zona da Mata mineira, é a cidade com mais cachaçaria por habitante do Brasil
Cidade mineira tem uma unidade produtora da bebida para cada 323 moradores, índice não alcançado por outro município brasileiro
O município de Lamim, na Zona da Mata mineira, a 155 km de Belo Horizonte, conquistou um feito inédito: tornou-se a cidade com a maior densidade de cachaçarias legalizadas do Brasil. Segundo o Anuário da Cachaça 2025, o município, que tem pouco mais de 3 mil habitantes, possui dez unidades produtivas da bebida regularizadas, o que representa uma cachaçaria para cada 323 moradores, índice não alcançado por nenhum outro município do país.
O título surpreendeu as autoridades locais e os habitantes da pequena cidade mineira. “Foi uma surpresa muito grande para todos nós, laminenses. A cidade sempre teve um foco maior na pecuária, com produção de leite e carvão. Mas, com esse dado, começamos a estudar mais a produção de cachaça”, explicou o secretário municipal da agricultura, Juninho Pedrosa.
Um levantamento preliminar da prefeitura aponta que os dez alambiques da cidade produzem, juntos, cerca de 400 mil litros por ano, com média de 40 mil litros por produtor. “Alguns alambiques produzem até um pouco mais”, acrescentou Pedrosa. A meta agora é ampliar a produção e fortalecer a identidade da cidade como polo produtor. Para isso, a gestão municipal planeja lançar, em 2026, a primeira edição da Festa da Cachaça de Lamim. “Temos esse título e precisamos mostrar nossa cachaça não só para a população local, mas para as cidades vizinhas e turistas”, concluiu o secretário.
O título de Lamim reforça a tradição mineira na produção da bebida. De acordo com o Anuário da Cachaça 2024, o Brasil possui 1.266 estabelecimentos registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), sendo 501 deles em território mineiro, quase 40% do total. O Estado também concentra o maior número de marcas: são 2.492 cachaças mineiras registradas.
Apoio técnico e financiamento foram essenciais para a regularização
A conquista do município é resultado de um esforço coletivo, com apoio de entidades como a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG) e o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). Marcos Aurélio Silva Araújo, extensionista agropecuário da Emater local, explica que o trabalho de orientação aos produtores vem sendo feito há mais de 20 anos. “Promovemos cursos sobre qualidade da cachaça desde 2000, sempre reforçando as boas práticas e a necessidade de adequações legais, sanitárias, ambientais e tributárias”, explica.
Um dos exemplos é o produtor da cachaça Laminense, um dos rótulos mais famosos da cidade, Nivaldo Rezende. Ele e o irmão estão no mercado desde 2000, mas só conseguiram a regularização da cachaçaria há três anos, após serem procurados por fiscais do IMA. “Vimos que era necessário nos adequarmos às normas. O processo foi caro porque tivemos que trocar todos os equipamentos. Nada podia ser de plástico, tudo precisava ser em inox. Isso encareceu muito”, relatou.
O investimento chegou a cerca de R$ 300 mil, segundo o produtor, que conseguiu um financiamento junto ao Banco do Brasil e com o apoio da Emater. “Foi a Emater que nos ajudou com a documentação e orientações para conseguir o recurso. Sem isso, seria impossível”, completou.
Futuro
Para seguir fortalecendo a cadeia produtiva da cachaça, a prefeitura de Lamim aposta em capacitações e apoio técnico. “Estamos colaborando com os produtores, oferecendo cursos, melhorando o plantio de cana e buscando variedades mais apropriadas para a produção. A ideia é sempre evoluir”, afirmou o secretário Juninho Pedrosa.
Com tradição, organização e apoio técnico, Lamim agora quer transformar a cachaça em mais que um produto local: um símbolo de identidade e desenvolvimento econômico para toda a região..
FONTE:O TEMPO
